Cenouras sendo colhidas

Reflexões sobre Vivências Gastronômicas

“Vivências Gastronômicas, …, vivências, que legal” é o que sempre ouço depois de entregar o cartão de visitas da Vivah. Até o momento, não presenciei, nem uma vez se quer, uma reação diferente. Vivência é uma palavra que chama atenção, desperta algum tipo de lembrança e causa curiosidade, mas, afinal, o que significa “vivência”?

Não serei leviano de tentar explicar definitivamente o que significa vivências neste post, muito menos a combinação “vivências gastronômicas”. Mas calma, já vou te oferecer algumas reflexões sobre o significado de vivências. E, daqui a dois anos de mestrado, quando terminar o mestrado, um estudo embasado sobre esta combinação de palavras.

Primeiramente, esqueça de procurar o significado de vivência nos livros de culinária (não vou dizer que isto é uma perda de tempo, pois, no mínimo, algum prato sai desta procura). É mais provável que sua busca aconteça em algum livro de psicologia ou filosofia. Na maioria dos contextos, quando você fala em vivência, na verdade está se referindo à experiência. “Então vivência não é experiência?” Não.

Analisando alguns conceitos filosóficos, constatei que vivência é algo que é vivido e que não existe sem o pensamento. Diferentemente, a experiência é um conhecimento adquirido pela observação e não pela razão.

Convenhamos: observar e viver são coisas bem diferentes. Segundo nosso amigo Michaelis, observar é estudar, examinar, olhar com atenção. Enquanto que viver é existir, perpetuar.

Café sendo coado

Café sendo coado

A psicologia ainda esclarece que a grande diferença que separa a vivência de uma experiência é justamente o ato de analisar conscientemente. Neste caso, podemos simplificar e nos arriscar a dizer que a fronteira que separa vivência de experiência é a consciência.

“Muito bem, mas, afinal, o que significa vivência?” Calma, lembre-se que, por hoje, te prometi apenas algumas reflexões sobre o significado de vivências?

Entretanto vou te dar uma colher de chá. Na verdade não eu, mas sim o filósofo Henri Bergson nas palavras do, também filósofo, Manuel Garcia Morente:

“Uma pessoa pode estudar minuciosamente o mapa de Paris; estudá-lo muito bem; observar um por um os diferentes nomes das ruas; estudar suas direções; depois pode estudar os monumentos que há em cada rua; pode estudar os planos desses monumentos; pode revistar as séries das fotografias do Museu do Louvre, uma por uma. Depois de ter estudado o mapa e os monumentos pode este homem procurar para si uma visão das perspectivas de Paris mediante uma série de fotografias tomadas de múltiplos pontos. Pode chegar dessa maneira a ter uma ideia bastante clara, muito clara, claríssima, pormenorizadíssima, de Paris. Semelhante ideia poderá ir aperfeiçoando-se cada vez mais, à medida que os estudos deste homem ou mulher  forem cada vez mais minuciosos; mas sempre será uma simples ideia. Ao contrário, vinte minutos de passeio a pé por Paris são uma vivência. Entre vinte minutos de passeio a pé por uma rua de Paris e a mais vasta e minuciosa coleção de fotografias, há um abismo.”

Café coado com bolo de cenoura sendo apreciado

Café coado com bolo de cenoura sendo apreciado

 

Então façamos um acordo: eu volto daqui a dois anos com a resposta muito mais fundamentada sobre o que são vivências gastronômicas, e você observa menos e vive mais! Vivah!

Uma ideia sobre “Reflexões sobre Vivências Gastronômicas

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>