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O cheiro dos ingredientes

Sabe quando você está passando perto de uma cozinha e sente aquele cheiro incrível, que chama a sua atenção e abre o seu apetite? Então, é o seu olfato preparando o seu corpo para receber a comida. Começa aí uma série de reações dentro de você que aumentam a vontade de comer e aguçam ainda mais o seus sentidos. É sobre isso que vou falar e para ilustrar esse texto vou contar uma história que me marcou muito por essa relação com do olfato com a gastronomia.

Há alguns dias eu comentei com o Daniel, também sócio da Vivah, que estava querendo fazer bolinho de bacalhau, ele gostou da ideia e se animou para servir de “cobaia” desse prato. Aproveitamos a disposição e marcamos um jantar na minha casa, um encontro de casais amigos, no domingo seguinte. O combinado foi: eu cuidava do bolinho e ele cuidava do vinho!

No dia anterior ao jantar, comecei a me preparar, fui ao mercado e comprei os ingredientes: bacalhau desfiado, batata, cebola, alho, cheiro verde, ovos e azeite. Coloquei o bacalhau desfiado de molho na água e levei à geladeira para dessalgar e a cada 4 horas trocava a água, para remover o sal por completo. Repeti esse processo até a tarde do dia seguinte. Durante as compras e o preparo do bacalhau, comecei a sentir os cheiros e imaginar como ficariam no resultado final do prato.

No meio da tarde do domingo, resolvi sair daquela preguiça típica de domingo e voltar à cozinha para avançar com alguns pré-preparos, coisa de cozinheiro sabe? Então coloquei as batatas para cozinhar na água, escorri o bacalhau e também o coloquei para cozinhar, só que no leite (eu prefiro, dá mais cremosidade ao peixe do que cozinhar na água). Enquanto esperava o cozimento, piquei a cebola, o alho e o cheiro verde, nessa hora os cheiros já começaram a perfumar a casa. É incrível a quantidade de cheiros que um cozinheiro sente durante os preparos, alguns que nem mesmo o mais treinado dos olfatos sentiria no prato depois de pronto.

Continuei na minha receita, espremi as batatas, refoguei o alho e a cebola e misturei tudo com o bacalhau. Acrescentei os ovos e o cheiro verde e temperei com sal e pimenta, levei à geladeira para dar consistência e esperei chegar a hora de fritar. Aos poucos o apartamento era tomado por um perfume delicioso, resultado da mistura dos diversos ingredientes que se volatilizavam no ar e anunciava o que seria degustando na mesa.

Quando comecei a esquentar o óleo para fritar os bolinhos, chegou uma mensagem do Daniel avisando que chegariam um pouco antes, com isso me adiantei nos preparos finais para recebê-los com a mesa posta. Com o óleo já quente, retirei a mistura da geladeira e com o auxílio de duas colheres comecei a fazer as quenelles e fritá-las direto. Nesse hora eles chegaram e a primeira coisa que falaram foi: “nossa o cheiro está muito bom, tá chegando lá no elevador!”, uma frase até que comum, mas nessa ocasião me chamou muito a atenção. Continuou nossa noite e enquanto eu terminava de fritar todos os bolinhos íamos todos conversando e tomando um vinho, que diga-se de passagem combinou muito bem com os bolinhos. Assim foi nossa noite agradável em volta dos aromas da cozinha.

A apreciação desse prato começou muito antes do ato de comer, todos os outros sentidos foram aguçados durante o processo de concepção, nesse caso destaca-se o olfato que gerou muita curiosidade e desejo. Portanto, quando for cozinhar para alguém na sua casa, não prepare tudo antes, adiante os preparos mais demorados e deixe para cozinhar o resto com todos juntos. Afinal é muito egoísmo só os cozinheiros aproveitarem todos os perfumes que são exalados na cozinha. Todos tem direito a boa vida do olfato!

Uma ideia sobre “O cheiro dos ingredientes

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