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De onde surge um cozinheiro?

Você já parou para pensar no que te motivou a escolher o caminho profissional que você segue hoje? Eu tenho pensando nisso ultimamente e percebi que o bicho da cozinha me pegou há muito tempo. Mesmo sem perceber, foi nascendo em mim uma vontade de me tornar algo além de um bom apreciador dos prazeres na mesa. Surgiu assim um devir cozinheiro, o que me fez repensar a maneira como eu percebia a comida.

Eu sempre fui daquelas crianças complicadas que fazem os pais sofrerem quando o assunto é comida. Não adiantava esconder os legumes, nem picar bem o peixe e muito menos falar que comer aquilo ia me fazer bem. Eu só pensava em comer arroz, feijão, bife e batata frita, e quem sabe as vezes uma salada de tomate com alface. Lembro que nessa época o máximo que me aventurei foi em comer pepino.

Mas isso nunca me impediu que, desde muito cedo eu ficasse rodeando a cozinha, querendo saber o que seria preparado e como seria feito. Foi assim que eu comecei a temperar a carne do almoço de sábado na casa da minha avó, com apenas 5 anos de idade. O tempo foi passando e eu foi me mantendo resistente a comer algo diferente, teve até uma vez em que eu capturei uma galinha da angola no sítio da minha tia, um feito difícil, afinal essa raça de galinha corre muito rápido. Todo mundo ficou impressionado, mas adivinhem? Eu acompanhei todo o preparo mas não experimentei nem um pedaço.

O mais engraçado de tudo isso é que mesmo sem comer muita coisa, eu sempre gostei de cozinhar. Por muito tempo era eu que prepara o jantar do meu irmão mais velho antes dele ir para a faculdade. Mas tudo mudou mesmo quando eu entrei na faculdade de design, saí da casa dos meus pais e foi morar em outra cidade. Lá eu comecei a cozinhar e experimentar outros ingredientes como brócolis, abobrinha, couve flor e até peixe. Foi tudo tão intenso que já nessa época foquei meus estudos para as panelas e junto com o um professor comecei a desenvolver uma linha de estudos focado em food design. Daí para o curso de gastronomia foi um pulo.

Agora quando volto para a casa da minha família do interior de São Paulo, vejo que o que me fez seguir nesse caminho foram as vivências que tive durante esses anos, as relações e principalmente as histórias que compartilho com as pessoas próximas. Pra mim a cozinha funcionou e ainda funciona como um potencializador de relações, me aproximou muito da minha família e dos meus amigos.

Conversando com alguns companheiros de profissão vejo que o primeiro passo para assumir as panelas é comum: o prazer em comer, que vai evoluindo até transformar o hobby em profissão e transmitir esse prazer para as outras pessoas.

E você como se relacionou com a cozinha durante a sua vida?

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