festival brasileiro de cervejas

Como fica a gastronomia com o aumento do dólar?

No início deste mês, o jornal Folha de São Paulo noticiou “Com dólar alto, língua portuguesa desaparece das lojas de Nova York” referindo-se ao aumento de mais de 35 por cento do dólar em um ano.

E você deve estar se perguntando: mas o que gastronomia tem a ver com isso? E a resposta é, mesmo não sendo muito clara, muita coisa!

O impacto mais óbvio é o aumento direto no preço das comidas e bebidas importadas. Mas vamos imaginar no cenário em que você bon vivant superou o paradigma dos importados e consuma principalmente produtos produzidos aqui no Brasil, ou ainda, com um comportamento mais slowfood, consuma alimentos da sua região. O aumento do dólar tem como me impactar?

Infelizmente sim. Vamos pegar o exemplo de Curitiba, cidade sede da Vivah. Vou focar apenas em dois exemplos: temos a produção de cervejas artesanais de qualidade, sempre presentes no pódio do Concurso Brasileiro de Cervejas, e em expansão, com uma quantidade de rótulos que passam das centenas; e a torrefação de cafés especiais, serviço na qual a cidade foi pioneira no Brasil e contínua se desenvolvendo neste segmento com novas marcas de torrefação sendo lançadas.

No primeiro caso, o impacto do dólar será provavelmente percebido dentro de alguns meses, quando os preços dos insumos importados começarem a ser reajustados. Uma grande parte dos lúpulos utilizados para aromatizar nossas cervejas vêem, por exemplo, dos Estados Unidos.

Muito menos óbvio, no segundo caso um fator importante pode ser decisivo no aumento do nosso cafezinho. Com o aumento do dólar, fica muito mais lucrativo para os produtores brasileiros de cafés especiais exportar seu produto, conseguindo um lucro maior com cada saca de café. E a consequência disso pode ser uma menor produção destinada ao consumo interno, aumentando os preços.

Em ambos os casos, estas previsões parecem catastróficas para o cenário de aumento do consumo destas bebidas previsto para os últimos anos, mas estão muito longe de estagnar o consumo.

Por um lado estas bebidas já ganharam o gosto do público que percebeu a diferença delas para as vendidas nas gôndolas comuns dos supermercados, por outro, os produtores destas especiarias parecem estar cada vez mais confiantes.

Os mais de 600 rótulos apresentados no Festival Brasileiro de Cervejas de Blumenau, que vivenciei neste ano de 2015, não me deixam mentir sozinho. Os cervejeiros estão se inovando a cada dia, a cada processo, a cada novo rótulo, e não será esta nova onda de aumento do dólar que vai derrubar o mercado. Certamente os mais inventivos se manterão em pé.

E com o café não será diferente. Talvez motivado pela cafeína nas veias, os empreendedores se mostram cada vez mais desbravadores, apresentando ao público festivais dedicados à bebida, workshops dos diferentes preparos e novas opções de drinks no qual o café é ator principal.

Mesmo com o dólar em alta, a gastronomia sai ganhando em dois pontos: apenas os produtores inovadores resistirão com fôlego e, como consequência, nós bons vivants aproveitaremos destas inovações em nossas mesas.

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