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Nem sempre é dia de ir naquele restaurante

Na última semana, o video de um dono de restaurante daqui de Curitiba, respondendo às críticas de um cliente em uma rede social, viralizou na internet. Da sua maneira, ele colocou os seus pontos de vista sobre o julgamento do cliente. Os pontos são polêmicos demais para discutirmos apenas em um post, porém teve um que me chamou a atenção: segundo o chef, o restaurante dele não era para todo o tipo de cliente. A primeira vista esse comentário parece chocar, mas quero discuti-lo com vocês, pois ele vai de encontro à um outro post que fiz aqui, como é construída uma harmonização, principalmente quando falo do papel do “contexto” na construção de um vivência.

Para elucidar esse conceito, vamos aproveitar que amanhã é o dia dos namorados e imaginar a seguinte situação: você resolveu levar o seu amor para jantar em um lugar legal, para isso você pensou em possíveis restaurantes para curtir um momento intimo e romântico. No meio disso você lembrou daquele lugar que seu amigo(a) tinha te indicado aquela vez, ele(a) tinha falado: “fomos super bem atendidos e a comida estava maravilhosa, você precisa conhecer”, e você pensou, porque não conhecer esse lugar novo?

Decisão tomada e reserva feita você e seu amor esperam com ansiedade a hora do jantar chegar e começaram a criar aquela expectativa. Vocês imaginaram as conversas que teriam juntos, o vinho que irá acompanhar o jantar, o prato que vocês irão pedir, enfim, toda a experiência já foi construída nas suas mentes e é com essa imagem que vocês irão desfrutar este momento.

Porém, ao chegar no tal restaurante vocês começam a ver que não era bem aquilo que estavam esperando para aquele dia. A luz está forte demais, o ambiente é descolado demais, tem musica alta, o garçom, apesar de muito atencioso, te incomada demais, e a comida é realmente boa, mas um pouco pesada para aquele dia. Por fim aquela expectativa que vocês haviam criado cai por terra e fica uma sensação de frustração que transforma aquele dia dos namorados em um dia para esquecer. Resultado? Você passa a não recomendar esse lugar a todo mundo, e diz, inclusive para o seu amigo que tinha te indicado, para não voltar lá mais.

Algumas coisas passaram despercebidas e é ai que está o contexto. As coisas simplesmente não encaixaram e a sua experiência foi ruim. Aí existem diversas possibilidades que podem ter propiciado essa sensação, uma é a de que o próprio restaurante pode não ter expressado da melhor maneira o propósito da noite, como por exemplo na decoração. Outra possibilidade é a de que vocês não observaram alguns sinais que o restaurante deu, como o tipo de comida do cardápio, essa segunda opção que dei é até mais comum que a primeira, afinal esse ritmo de vida acelerado que levamos hoje nos anestesia e nos impede de reparar dos detalhes.

É natural que a nossa atenção esteja voltada para apenas alguns pontos de uma vivência, mas o nosso subconsciente está ligado em todo o resto e isso gera as sensações e emoções que transformam aquele momento comum em algo memorável. E é ai que está a diferença entre a boa experiência do seu amigo com a sua experiência ruim: o propósito somado com o ambiente, ou seja, o contexto, o dele deu certo mais o seu nem tanto.

Portanto, se você quer vivenciar a boa vida em sua plenitude fique atento ao contexto, e saiba que nem sempre aquele restaurante que você quer conhecer vai ser condizente com o propósito. E aquele chef do vídeo tem certa razão quando disse que o seu restaurante não era para todo o tipo de cliente, pois simplesmente as vezes a expectativa do cliente não condiz com o propósito do local. Agora a maneira com que o chef se expressou, ai é outra história.

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